A noite varava de um frio intenso. O silencio que preocupava e ocupava o pensamento daquela jovem estava deixando-a apavorada enquanto andava àquela hora sozinha na rua. Muitas coisas ruins poderiam acontecer e os pensamentos que a perturbavam não eram as melhores coisas que podiam estar na mente de uma garotinha tão jovem, inocente e inofensiva.
Os boatos dos seres das trevas que varavam a noite à procura de presas tão fáceis de matar, essas presas que provavelmente haviam esquecido em casa a estaca, a cruz e a água benta; que saíram de casa naquele horário para servirem de refeição para seres se não perfeitos, superiores e temidos por todos.
Os assassinatos eram constantes, sem sangue e sem resquícios de dor. A carniça demorava a apodrecer, se morta por esses tais canibais da noite, e, o cheiro se assemelhava mais à incenso que à outras coisas depois de alguns dias imóveis. Todo lugar onde a morte acontecia amanhecia com flores ao redor do corpo e um cheiro de cera de vela branca derretida como num rito. Tudo indicava que "o" ou "os" psicopatas que agiam daquela forma eram no mínimo católicos, pois, simulavam um funeral sempre que conseguiam mais uma vítima.
Ela estava com medo e caminhava em direção da sua casa que era a uns dois quarteirões dali. Os supostos vultos que ela tentava ignorar a fazia pensar em outros caminhos que poderiam ser usados para chegar à sua casa ou na igreja mais próxima. Rose parecia realmente estar sozinha naquela manhã, ao menos, de companhias agradáveis.
Os vultos estavam ficando cada vez mais freqüentes, assim como os calafrios e a rapidez de seus passos. Os olhos da inocente moça tentavam olhar exatamente tudo a sua volta. Procurava um rosto de algo ou alguém que estava deveras à atormentá-la de forma tão horrível:
– Quem são, e, o que querem? –
Eles pareciam não se importar muito com o quão arrepiante aquilo era para ela, e, continuavam de forma que aumentavam a freqüência dos sustos e vultos à cada vez.
Os questionamentos da moça voltariam a acontecer, porém, dessa vez, tomado de um horripilante grito de pavor. Ela corre até o meio da rua de lajotas hexagonais, e, num grito apavorado tentando chamar a atenção das casas por perto grita:
– O que vocês querem? –
A voz a seguir era aveludada e tomada de uma natureza educada e esplendida. Um tom doce e macio de ouvir. Sedutor e imponente que tocava os tímpanos inseguros da garota, a qual, logo assimilou ter chegue sua salvação. Seria um anjo, ou, um caçador daquelas feras tão horríveis.
O garoto era de estatura jovem, teria seus dezessetes anos ou menos. Seus olhos escuros e seu sorriso a deixava mais tranqüila agora, e, caminhava dada aos braços do menino que a salvaria dos tais demônios da noite que a queriam devorar. Um garoto com um rosto italiano e um pequeno sotaque, talvez, original da Itália ou França não a fazia acreditar na má índole que ele escondia por detrás daquele casaco preto. Porém, a resposta do garoto a fez perceber que tamanha burrada cometera em aceitar ser salva pelo próprio monstro impiedoso.
– Seu sangue! –
A resposta a paralisou. Ela já não tentaria mais fugir, e, ele sentia o cheiro de seu cabelo perfumando enquanto ia chegando cada vez mais perto. Ela o olhava dentro dos olhos castanhos que logo se tomaram de um vermelho pálido. As presas do rapaz cresceram revelando ser exatamente que era, e, antes de encravar tais em sua jugular dá uma ultima olhava na garota, já sem vida, antes da morte.