terça-feira, 8 de março de 2011

Introdução II

Na esquina da Rua Honório, para os que chegavam à cidade estava lá, impetuoso e presente aos olhos de todos que não possuíam nenhum problema de visão. O prédio da tal academia que movimentaria quase sessenta por cento da renda da cidade. Lançava dúvidas deveras aos moradores que não sabiam exatamente de que tipo de comércio se tratava.
Depois de inaugurada os assassinatos diminuíram. Então, restava acreditar que algum tipo de monastério funcionava ali, treinando caçadores peritos à arte de matar seres já não muito bem vindos a luz do dia.
Era um prédio bonito e branco. Muito bem conservado, apesar, de que nunca se via nenhum trabalhador no local. Nem jardineiro, e, nem som. Era difícil acreditar que lá dentro existiam adolescentes, como era proposto pela prefeitura da cidade quando inaugurado às vésperas do dia mais horripilante da cidade.
O dia oito de março era marcado pelo assassinato de Rose, a freira que foi encontrada falecida há um pouco mais que um quarteirão de sua casa. O corpo da moça parecia não ter sido violado de outro modo se não no pescoço por dois pequenos furos discretos. Sem sangue nenhum, e, no rosto uma tranqüilidade tamanha, como se fosse acordar de seu sono dias depois. Claro que o fato de um dos moradores ter avistado-a saindo do tumulo de sua família fazia apenas parte das lendas urbanas que rondavam a região.
O psicopata precisava parar um dia. E parou. Alguma coisa fez com que ele parasse. E a data de inauguração da academia podia ter alguma ligação, afinal, a prefeitura parecia ter começado a trabalhar de forma incessante, depois da morte da garota, e, dias depois inauguravam um orfanato, fechado, ao invés de proporem solução aos fatos ocorridos durante as “meias-noites” do município.
Grama sempre feita. Janelas muito bem fechadas sem basculante. Sem som. Sem adolescentes. Era realmente difícil acreditar na hipótese de existirem pessoas naquele lugar. Mas os fatos se contradiziam o tempo todo. Alguém conseguia manter aquele lugar sempre em ordem.
Verudia teria se tornado então a maior fonte de renda da cidade, sem nem se quer os moradores saber do que se tratava tal estabelecimento. Poderia ter relação com alguma sociedade secreta de milionários da região. As teorias iam desde orfanato de monges magos caçadores de vampiros à crianças albinas filhas da alta sociedade sensíveis ao sol. A juntar os acontecimentos com o que acontecia tudo com respeito a vampiros parecia aos moradores, teorias muito mais convincentes.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Introdução I

A noite varava de um frio intenso. O silencio que preocupava e ocupava o pensamento daquela jovem estava deixando-a apavorada enquanto andava àquela hora sozinha na rua. Muitas coisas ruins poderiam acontecer e os pensamentos que a perturbavam não eram as melhores coisas que podiam estar na mente de uma garotinha tão jovem, inocente e inofensiva.
Os boatos dos seres das trevas que varavam a noite à procura de presas tão fáceis de matar, essas presas que provavelmente haviam esquecido em casa a estaca, a cruz e a água benta; que saíram de casa naquele horário para servirem de refeição para seres se não perfeitos, superiores e temidos por todos.
Os assassinatos eram constantes, sem sangue e sem resquícios de dor. A carniça demorava a apodrecer, se morta por esses tais canibais da noite, e, o cheiro se assemelhava mais à incenso que à outras coisas depois de alguns dias imóveis. Todo lugar onde a morte acontecia amanhecia com flores ao redor do corpo e um cheiro de cera de vela branca derretida como num rito. Tudo indicava que "o" ou "os" psicopatas que agiam daquela forma eram no mínimo católicos, pois, simulavam um funeral sempre que conseguiam mais uma vítima.
Ela estava com medo e caminhava em direção da sua casa que era a uns dois quarteirões dali. Os supostos vultos que ela tentava ignorar a fazia pensar em outros caminhos que poderiam ser usados para chegar à sua casa ou na igreja mais próxima. Rose parecia realmente estar sozinha naquela manhã, ao menos, de companhias agradáveis.
Os vultos estavam ficando cada vez mais freqüentes, assim como os calafrios e a rapidez de seus passos. Os olhos da inocente moça tentavam olhar exatamente tudo a sua volta. Procurava um rosto de algo ou alguém que estava deveras à atormentá-la de forma tão horrível:
– Quem são, e, o que querem? –
Eles pareciam não se importar muito com o quão arrepiante aquilo era para ela, e, continuavam de forma que aumentavam a freqüência dos sustos e vultos à cada vez.
Os questionamentos da moça voltariam a acontecer, porém, dessa vez, tomado de um horripilante grito de pavor. Ela corre até o meio da rua de lajotas hexagonais, e, num grito apavorado tentando chamar a atenção das casas por perto grita:
– O que vocês querem? –
A voz a seguir era aveludada e tomada de uma natureza educada e esplendida. Um tom doce e macio de ouvir. Sedutor e imponente que tocava os tímpanos inseguros da garota, a qual, logo assimilou ter chegue sua salvação. Seria um anjo, ou, um caçador daquelas feras tão horríveis.
O garoto era de estatura jovem, teria seus dezessetes anos ou menos. Seus olhos escuros e seu sorriso a deixava mais tranqüila agora, e, caminhava dada aos braços do menino que a salvaria dos tais demônios da noite que a queriam devorar. Um garoto com um rosto italiano e um pequeno sotaque, talvez, original da Itália ou França não a fazia acreditar na má índole que ele escondia por detrás daquele casaco preto. Porém, a resposta do garoto a fez perceber que tamanha burrada cometera em aceitar ser salva pelo próprio monstro impiedoso.
– Seu sangue! –
A resposta a paralisou. Ela já não tentaria mais fugir, e, ele sentia o cheiro de seu cabelo perfumando enquanto ia chegando cada vez mais perto. Ela o olhava dentro dos olhos castanhos que logo se tomaram de um vermelho pálido. As presas do rapaz cresceram revelando ser exatamente que era, e, antes de encravar tais em sua jugular dá uma ultima olhava na garota, já sem vida, antes da morte.